Um brinde aos sobreviventes

Data de postagem: 24 de abril de 2019

Um brinde aos sobreviventes

Pessoas felizes com mais de 45 anos são sobreviventes. Nada contra a galera dos 30 e poucos ou bem menos, mas a opção por uma transformação aparente ou escondida, ocorre depois que ultrapassamos a quarta e meia década de vida.

Até os 45 construímos castelos de vitórias e medos. É o cume de uma lomba que empurramos as ilusões até o topo, e do alto, temos a sensação de vitória cinza, satisfeitos mais ou menos com o que temos, todavia com sede de querer mais. Sabemos, mesmo que inconscientemente, que estamos perto ou já passamos da metade da existência.

Depois dos 45, as cartas do baralho estão distribuídas. Podemos optar pela acomodação em seguir jogando uma partida que a cada dia vai perdendo a emoção e a graça, ou então tentar uma virada, consertando o que ainda não está bom. É como a história da águia que quando chega na metade da vida, precisa se renovar para seguir adiante. Neste momento, ela constrói um ninho próximo a uma montanha e se isola para enfrentar um processo de renovação. Literalmente, arranca unhas, bico e penas e após dolorosos cinco meses, está reinventada, pronta para viver o outro tempo. A ave teve que decidir entre desistir e deixar-se morrer ou dolorosamente se renovar

O mesmo acontece conosco, chega um tempo que se não migramos de viventes para sobreviventes, acabamos morrendo. E não é uma morte tradicional, daquelas que o defunto é colocado dentro de um caixão e segue para algum lugar no cosmos. É a morte de quem se torna morto vivo e desiste de viver, que não arranca as unhas da vaidade que traveste o ego e o bico das ilusões.

Se escolhemos nos renovar, temos que enfrentar a dor de optar pelo que realmente tem significado. É pegar cada experiência e submetê-la ao crivo do vale a pena e a pena que não vale, deve ser, sem pena, descartada com faz a águia.

Um brinde aos sobreviventes, aqueles que escolheram se renovar. Que abriram mão de relacionamentos exauridos, que se reinventaram na profissão, que tiveram coragem para dizer os “nãos” nos momentos e para as pessoas certas, e assim estancaram sangrias que custariam caro no futuro. Que despertaram para significar o jogo da vida e que agora podem voar feliz pelo dobro do tempo que ainda resta.

Professor Saul

Comment (1)

  • Amanda Brito Resposta

    Excelente!

    16 de maio de 2019 em 13:47

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